A vida sem babá – e os Rolling Stones

Ilustração de Lisa Stubbs

Ilustração de Lisa Stubbs

Na semana passada festejamos o primeiro aniversário do nosso caçula, e alguns dias depois eu e meu marido comemoramos nossa primeira saída a dois após um ano. Sim, é isso mesmo, fazia mais de 365 dias que a gente não tinha um programa de casal, nem um cineminha.

Quando engravidei do Oliver, decidimos não terceirizar os cuidados do bebê, apesar da experiência positiva com a primogênita que teve babá até os três anos. Foi uma decisão por princípios, mais do meu marido, europeu, e também uma escolha financeira. Nossa situação privilegiada de ter horário alternativo de trabalho e possibilidade de fazer home office foi determinante para isso. Mas achei que nos primeiros meses após o fim da licença-maternidade a gente recorreria ao berçário. Não, não foi preciso.

Estamos dando conta do recado. A dupla jornada sem nenhum respiro é exaustiva, mas prazerosa e realizadora. E o casamento, ao contrário do que imaginei que poderia acontecer, ficou mais fortalecido.

Se nos países em que as famílias que não têm babá diariamente contam com o serviço de baby sitter por algumas horas, no Brasil essa opção não é uma prática comum. Também não tivemos ajuda de parentes para possíveis escapadas a dois, então, aprendemos a encontrar caminhos alternativos.

Para comemorar nossos aniversários e os oitos anos de casamento, por exemplo, trocamos jantares românticos por almoços em restaurantes por perto com um bebê que ainda dormia a maior parte do tempo no carrinho e enquanto a mais velha estava na escola. A gente também se revezava – e ainda se reveza – para alguns programas da vida adulta, como cerveja com os amigos, casamento do primo, cinema e o futebol semanal dele.

No entanto, no sábado passado relembramos a delícia de sair a dois. Meus pais, que já tomaram conta da nossa filha mais velha muitas vezes e nunca tinha ficado com o caçula por ser muito novo, prontificaram-se como baby sitter durante oito horas para que pudéssemos ir ao show dos Rolling Stones, programado com quase três meses de antecedência.

Foi maravilhoso, claro. Nossa reestreia na companhia exclusiva do outro não poderia ser mais apoteótica. E os avós prometeram que ficariam mais vezes com as crianças. Olé!

 

Rolling Stones

Luciana

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