Mães francesas: certas ou erradas?

Como ser uma parisiense
Quando a jornalista americana Pamela Druckerman lançou o livro “Crianças Francesas Não Fazem Manha”, em 2013, ela colocou um holofote sobre o comportamento dos pais na França: eles não deixam que seu filho seja o centro de seu universo, a exemplo de muitos pais americanos (e podemos citar também os brasileiros). Segundo a autora, os franceses conseguem equilibrar suas necessidades e as das crianças, não abrem mão de sua vida adulta para se tornar escravo de pequenos tiranos, e assim conseguem criar filhos educados e com limites. O comportamento exaltado no livro fez muitas mães reavaliarem o tempo que dedicam aos filhos e a elas mesmas e até a adotarem o modelo francês; mas também provocou uma avalanche de críticas e torcidas de nariz.

Agora são as próprias francesas que contam como lidam com a maternidade e reforçam a teoria de Pamela no livro “Como Ser Uma Parisiense – em Qualquer Lugar do Mundo”. O foco da obra recém-lançada no Brasil, escrita por quatro amigas, não é a relação com os filhos e sim o estilo de vida da parisiense. Mas é interessante saber como elas pensam. No capítulo “Mãe Imperfeita”, elas se assumem egoístas, dizem que a parisiense não deixa de existir no dia em que tem um filho e que quase não há em Paris a mater dolorosa, ou seja, a mulher cujo maior objetivo é passar os dias fazendo torta para a sua prole. Mas por outro lado, ela não abre mão de educar os filhos, de vê-los crescer e de transmitir seus princípios, sua cultura e sua filosofia. “Talvez esse seja o maior princípio do sistema educativo da mãe parisiense: seu filho não é um rei, e sim um satélite da sua vida. Ao mesmo tempo, ele é onipresente, pois o satélite vai onde a mãe for e compartilha com ela todos os momentos preciosos”, cita o livro. “(A mulher de Paris) não se sente obrigada a amamentar. Ela amamenta se quiser. E ai de quem tiver a audácia de opinar sobre o que ela deve ou não fazer com seus seios. Ainda mais se for um homem”, diz outro capítulo.

Certas ou não, as francesas não anulam seus outros papéis depois de dar à luz: continuam sendo mulher, amante e profissional, mesmo que a vida vire um caos para dar conta de tudo.  Acho que pode ser uma boa reflexão para as mães que têm dúvidas sobre largar ou não a carreira e que sabem que seu casamento merece mais atenção. A vida é uma só e acredito que podemos assumir todas as nossas facetas sem abdicar de uma em detrimento de outra para que não haja arrependimento lá na frente.

Mas como falei antes, a maternidade é só uma parte do livro. “Como Ser Uma Parisiense – em Qualquer Lugar do Mundo”, escrito por Sophie Mas, Audrey Diwan, Anne Berest e a superestilosa (na minha opinião!) Caroline de Maigret, traz uma abordagem bem-humorada com dicas de como é ser uma parisiense hoje em dia – como elas se vestem, se divertem e tentam se comportar. Não, elas não são naturalmente magras e revelam que precisam fazer um esforço para manter esse padrão. Elas também ensinam no livro como fazer para que seu namorado pense que você tem um amante e dão conselhos na hora de se vestir. Menos é mais e nada de ter uma bolsa ostentosa com o nome da marca estampado. É uma boa leitura para o momento em que você cumpre seu outro papel que não seja o de mãe.

 

Criancas Francesas nao fazem manha

 

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Luciana

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