Maternidade top não é (mais) hotel cinco estrelas

maternidade Pequenas Escolhas

 

Se está planejando a chegada do seu bebê rodeada de visitas bem instaladas num confortável quarto da maternidade top de linha, com docinhos, lembrancinhas e garrafas de água personalizadas com o mesmo tema do enfeite de porta escolhido há meses, cuidado: você pode se decepcionar. Pelo menos se o parto for em São Paulo.

Havia algum tempo que eu ouvia que as maternidades mais conceituadas da cidade estavam superlotadas por duas principais razões: o recente encerramento das atividades da maternidade Santa Catarina após 35 anos e o aumento de usuários de plano de saúde.

Claro que não servir pão de mel às visitas tão logo o bebê nasça é só uma ironia. Aliás, não preparei nada disso para a chegada do Oliver. O que acontece é que a superlotação pode transformar o momento mais importante da vida de uma mãe em ansiedade e estresse.

Éramos Seis

Na manhã de 23 de fevereiro, eu estava com outras cinco mamães recém-paridas numa sala de cirurgia da maternidade São Luiz Itaim porque a ala de recuperação não dava conta da quantidade de macas. Algumas mulheres que deram à luz naquela madrugada esperaram até 12 horas no pós-operatório para a liberação de um quarto. Mesmo partos agendados não tiveram privilégio e entraram na longa fila.

Nessa sala improvisada, fomos bem cuidadas e nossos bebês foram levados até nós para que fossem amamentados. Mas a filha de uma das companheiras pós-parto estava recebendo oxigênio na UTI e a mãe teve de armar um escarcéu para conseguir ver a menina depois de tantas horas. A enfermagem também disponibilizou um telefone para que a gente fizesse ligações do isolamento forçado. Mas hoje em dia não é todo mundo que sabe de cor os números do marido e dos pais, né?

Fora isso, já instalada no quarto, fui atendida por algumas auxiliares de enfermagem visivelmente estressadas. Se eu fosse mãe de primeira viagem, teria ficado muito insegura com a primeira responsável do berçario que deu uma orientação curta e grossa sobre amamentação. Mas também passaram pelo meu quarto profissionais dedicadas e cuidadosas. Enfim, deu tudo certo.

Quer dizer, ainda teve mais. O meu bebê teve alta da maternidade com um brinde: o clamp preso ao coto umbilical, aquele clipe de plástico. Para retirá-lo, é preciso uma ferramenta própria, que a pediatra não tem, e por isso tivemos que voltar ao São Luiz dois dias depois.

Permite dar dois conselhos? Decore o número do celular do marido e pense duas vezes antes de escalar tantas visitas para as primeiras horas após o nascimento do bebê.

 

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Luciana

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